Espelho do rei do pop
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Atrás da máquina de costura, ele tem a pele escura, o cabelo preso com um elástico e a espontaneidade no corpo magro que fala, acompanhando as palavras. No palco, a pele é branca, o traje traz o brilho idêntico e o corpo elétrico dançante se move nos passos milimétricos do astro do pop. Antônio Gleidson Rodrigues nunca imaginaria que depois da morte do ídolo Michael Jackson, sua vida poderia mudar tanto. “Quando eu soube, pensei que tudo ia acabar, que não dava mais para continuar nessa. Mas não foi bem assim. No dia seguinte da morte, o meu telefone já não parava de tocar”, conta o cover Gleidson. Até o início de setembro, a agenda está lotada. Costureiro desde 2007, morador do Parque São José, o menino de 27 anos mantém seu pequeno grupo de dança há oito anos, ensaiando com os bailarinos na quitinete onde vive de aluguel. O grupo Dangerous, nome do oitavo álbum de Michael Jackson, é a aposta de Gleidson num trabalho sério, profissional e até social. Em sua equipe, todos estudam e o bom desempenho é pré-requisito para continuar no grupo.
Até o último dia 25 de junho, as apresentações eram espaçadas e o cachê simbólico. “Tirando os shows do Centro Cultural Bom Jardim, em janeiro, que tivemos um cachê de quase R$ 400, o maior que tínhamos recebido antes era R$ 100.” Agora a realidade é outra. Os R$ 1.200 arrecadados em cada apresentação têm destino certo: uma conta bancária. Gleidson estima que fechando um calendário com aproximadamente 20 apresentações, o Dangerous consiga “um espaço próprio, de pelo menos 10 metros quadrados, que não precise pagar aluguel e tenha um grande espelho na parede”.
Até o último dia 25 de junho, as apresentações eram espaçadas e o cachê simbólico. “Tirando os shows do Centro Cultural Bom Jardim, em janeiro, que tivemos um cachê de quase R$ 400, o maior que tínhamos recebido antes era R$ 100.” Agora a realidade é outra. Os R$ 1.200 arrecadados em cada apresentação têm destino certo: uma conta bancária. Gleidson estima que fechando um calendário com aproximadamente 20 apresentações, o Dangerous consiga “um espaço próprio, de pelo menos 10 metros quadrados, que não precise pagar aluguel e tenha um grande espelho na parede”.
Vivendo um momento de assédio da imprensa e muitos convites, Gleidson não se deixa enganar. É ciente de que tudo isso vai passar, depois que a poeira baixar e a mídia esquecer a morte do astro. Mas sabe que é agora o momento de mostrar o talento do grupo. “Eu não tenho planos de enricar, nem de ficar famoso. Eu só quero que as pessoas reconheçam o meu trabalho e dos meus dançarinos. Quero manter minha Academia de Dança Cover do Michael Jackson, o grupo Dangerous. Isso para mim é suficiente”, desabafa Gleidson, contando ainda que tem sofrido ameaças de covers de outros estados, dizendo que no País só existe espaço para um. Ele não se deixa abalar e acredita que quanto mais trabalhos profissionais nesse sentido, melhor. “Acho que tem público e espaço para todo mundo. Se existissem até 100 grupos valeria a pena”, conclui. Com um figurino impecável e os passos ensaiados na ponta dos pés, fieis aos do rei do pop, Gleidson e seus bailarinos arrancam aplausos e elogios dos fãs por onde passam. Na última quinta-feira (9) não foi diferente. Certamente, se vivo, Michael assistiria a performance de um de seus maiores clássicos, Billie Jean, com um sorriso desconfiado e um olhar de espanto com tamanha semelhança.
Gleidson nunca fez curso de inglês, “aprendi com Michael”. Apesar de dublar em suas apresentações, ele arrisca cantar trechos de algumas músicas. É bem sucedido. “Posso dizer que convivi mais com o Michael Jackson do que com meu próprio irmão de sangue”. Aficionado pela vida do ídolo, Gleidson acompanhava diariamente na Internet o que a mídia publicava.
Sem medo de errar, analisa seguro a vida do cantor, compositor e bailarino por quem dedica cada dia de sua vida. “Ele era uma pessoa muito perturbada pela imprensa. Ele teve muitos problemas na infância, o que dificultou o contato dele com o mundo. Aqui eu vejo que eu tenho como ser ele, sem os problemas psicológicos que ele teve. Eu tenho como representá-lo como ele seria sem o assédio da mídia. Eu não perdi a minha infância, entende? Passei por tribulações, mas não tantas como as deles”.
Fé. Gleidson acreditava no trabalho do astro. Ele culpa a mídia por ter estragado a vida de Michael e deturpado tantas informações sobre ele. “Você tinha um homem com traços de crianças. Porém, um alto profissional, ninguém pode tirar o mérito. Por isso que a minha vida mudou e a dos meus dançarinos. O nosso trabalho não é só imitar a dança. Tento fazer o que ele buscava. Um trabalho social, de amor, mas que não era mostrado claramente pela mídia.” Justificando a afirmação, ele canta trechos da música Man in the Mirror, emocionado.
Não só o amor pelo ídolo foi nascendo ao longo dos anos, como a fisionomia de Gleidson se transformando. Depois do ‘incidente’ que o transformou no cover do Michael Jackson, os quilos perdidos o fizeram esteticamente semelhante. Apesar da baixa estatura, os 42kg o aproximam bastante da estrutura física do astro. Quando está em cena, flashes disparam na mesma frequência de seus passos. Ele posa, faz caras e bocas em sintonia com aquele americano que jamais esteve perto de apertar a sua mão, mas que parece incorporar quando atua como o tal.
13 de julho de 2009 às 19:35
Eu nunca gostei desse lance de fanatismo. Mas aprendi a aturar mais com a Norma Jean. Qual o sentido? Assista Malhação, querido! kkk Só que mesmo assim, que briga boba, hein? E isso é uma ótima forma de demonstrar seu carinho e adimiração pelo finado astro, ganhando cachê pela tripudiação em massa da imprensa. Essa que só destruia mais e mais uma imagem enquanto viva, mas agora tenta exautar alguém que já não está mais entre os vivos.
Mas obrigado por nos mostrar mais um lado nas informações recentes, amiga!
15 de julho de 2009 às 11:58
De nada amigo....a mídia é algo muito impressionante. Se você der um deslize...pronto...te transformam num monstro...não importa o que você fez ou pq fez...o que importa é que fez e se foi algo bom, será reconhecido (por pouco tempo; muita das vezes), se foi algo ruim....ninguém jamais esquece.